Blog · 9 de outubro de 2026
Saiba por que a privatização do BB é ruim para você e para o Brasil
Veja quem ganha e quem perde com a privatização de um banco público, histórico, consolidado e lucrativo como o BB

A inclusão de estatais como o Banco do Brasil (BB) em pautas sobre privatização tem surgido em debates da equipe econômica da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro. Ele disse em entrevista recente que pode vender até 95% das empresas públicas.
Sob o pretexto de gastar menos e de arrecadar mais, o que se faz na prática é enfraquecer programas sociais e acabar com investimentos que geram emprego e renda, cortando na carne do povo para encher ainda mais os cofres dos mais ricos.
Flávio não está nem aí para os riscos que a privatização representa para os trabalhadores, para o acesso dos pequenos e médios agricultores ao crédito, nem para a economia de cidades pequenas onde os bancos privados não têm interesse em manter agências ou postos de atendimento funcionando. Para garantir o lucro, só interessa aos banqueiros atuar em grandes centros urbanos.
Quem perde com a privatização do BB
- A maioria dos mais de 84 mil trabalhadores do BB correm o risco de demissão, assim como ocorreu em outros casos de privatizações de bancos, como Banespa, Banerj, Banestado e outras estatais estratégicas, como Eletrobrás e Sabesp.
- O acesso ao crédito será prejudicado. O BB é um agente de desenvolvimento que leva crédito a todo o país, em especial à agricultura, por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), com juros subsidiados para o custeio e os investimentos na produção dos pequenos agricultores, responsáveis por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros.
Sem crédito, caem a geração de emprego e a renda das famílias, o Pronaf encolhe e sobe o preço dos alimentos, como verduras, legumes, arroz e feijão.
- O fechamento de agências agrava o problema. O BB funciona em mais de 93% dos municípios brasileiros e conta com 51 mil postos de atendimento. Em muitos municípios pequenos, é a única agência ou posto bancário disponível. Quando o banco sai, agricultores, comerciantes e servidores ficam sem crédito, sem serviços básicos e sem alternativa próxima. A economia local perde fôlego, pois o dinheiro deixa de circular, o comércio encolhe e a população precisa percorrer longas distâncias para resolver o que antes fazia na própria cidade.
Vale lembrar que, mesmo sem ter sido privatizado, o BB fechou 739 agências durante o governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato, o que dá 185 por ano. No mesmo período, foram eliminados 10.936 postos de trabalho, ou 2.734 por ano. Com a privatização, o risco é que esse ritmo de cortes se acelere, já que o foco passaria a ser o lucro, e não o atendimento à população.
Quem ganha com a privatização do BB
- Os grandes grupos econômicos e os fundos de investimento. Donos de um banco que chega a mais de 93% dos municípios brasileiros, eles só terão interesse em manter o serviço aonde ele for extremamente lucrativo, porque o compromisso passa a ser gerar lucro para os acionistas e não atender a população.
- O mercado financeiro e os especuladores. Eles lucram em cada etapa do processo: na compra e venda de ações na Bolsa de Valores, nas reestruturações corporativas que costumam vir acompanhadas de cortes de agências e de empregos, e na emissão de títulos. Ganham com a movimentação, independentemente do impacto sobre quem depende do banco.
- O Estado, por sua vez, perde um ativo fundamental para a economia do país. Em troca, recebe recursos imediatos com a venda, um alívio de caixa pontual que não repõe o que se perde: um instrumento permanente de política pública, capaz de levar crédito, fomentar o desenvolvimento e garantir presença bancária onde o mercado não tem interesse em estar.
Flávio Bolsonaro é tão ou mais perverso que o pai. Quem não se recorda do deboche na fala durante a pandemia, em meio à tragédia de centenas de pessoas morrendo: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.
O Brasil não quer milagre, quer emprego, renda e acesso ao crédito. O BB cumpre funções importantes de incentivo ao agronegócio e ao crédito subsidiado.
O Brasil quer manter um ativo importante que, só entre 2016 e 2026, distribuiu cerca de R$ 270 bilhões em dividendos aos seus acionistas. Metade deste dinheiro foi para a União, que detém 50% das ações do banco.



