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Blog · 21 de outubro de 2026

Uma ideia delirante: Flávio promete congelamento de dívidas por até um ano

Essa é uma das falsas promessas do candidato. Na última semana antes de você ir às urnas, ele mente descaradamente prometendo o que não pode cumprir. A proposta pode quebrar a economia brasileira gerando crise financeira e de crédito

Contas, boletos e um cartão de crédito presos num bloco de gelo na mesa da cozinha, com um casal preocupado ao fundo

Promessa mirabolante para conquistar votos dos inocentes

No último domingo (18), o candidato Flávio Bolsonaro voltou a fazer propostas delirantes para a política econômica brasileira, como o congelamento das dívidas dos cidadãos e empresas por um ano, e, mais uma vez, acendeu o alerta sobre o que está em jogo na eleição do próximo domingo, dia 25 de outubro. E atenção, não é perdão da dívida. Depois de um ano, você voltará a ser cobrado.

Na verdade, Flávio não tem propostas. Ele faz promessas que nunca serão cumpridas porque são inviáveis.

Para o cidadão comum, parece bom. Mas, na hora em que precisar de crédito, vai constatar que não é bem assim.

Se Flávio soubesse fazer cálculo e raciocínio simples, não falaria uma bobagem como essa em tom de promessa de campanha. Ele está enganando os eleitores, cometendo estelionato eleitoral, que significa prometer o que não pode cumprir.

Tragédia anunciada

Se as dívidas ficarem realmente congeladas por um ano, o sistema financeiro vai ficar sem receber trilhões de reais e não vai ter recursos para novos créditos.

E, no limite da tragédia financeira, não teria dinheiro nem para a devolução de investimentos e até mesmo do dinheiro depositado em contas bancárias.

Proposta sem sentido, diz economista

É uma proposta que não faz sentido, afirma o economista Presley Vasconcelos.

“É óbvio que isso é mentira”.

“Uma proposta que não para em pé. Jamais, em lugar algum no mundo, alguém iria propor algo semelhante, pois isso sim pode quebrar a economia e fazer com que os reflexos possam ser sentidos nos próximos 10 a 20 anos”, afirma o economista.

“Estamos falando de algo em torno de R$ 4,7 trilhões de pessoa física e R$ 2,7 trilhões de pessoa jurídica. Isso representa algo em torno de 58% do PIB”, projeta o economista.

Flávio Bolsonaro e sua equipe econômica, que falam tanto em risco fiscal e necessidade de ‘tesouraço’, deveriam saber que, se a dívida pública aumenta nessa magnitude que a proposta prevê, endividando ainda mais o Estado, o risco fiscal e o risco de crédito sobem junto.

Em resumo: o crédito fica mais caro e pressiona a taxa de juros para cima.

Não vai ter dinheiro nem para financiar a compra de uma geladeira, imagine uma casa própria

Para quem quer financiar uma casa, por exemplo, isso significa pagar juros muito mais altos. Quando a oferta de crédito diminui, o preço dele aumenta. O resultado é menos gente comprando e, portanto, menos movimento para fazer a economia girar.

“Se o sistema passa um ano sem receber, não sobra dinheiro para financiar a geladeira, o móvel, a casa própria ou a safra do produtor. No fim, quem paga essa conta é você”, alerta o economista.

“Prepare-se, inclusive, para uma inflação de dois dígitos ao mês. A crise está sendo desenhada na nossa cara”.

E tem mais: a proposta não é um perdão da dívida, é um congelamento. Ou seja, a pessoa segue devendo e os juros aumentando a dívida.

É muito parecido com o que aconteceu lá atrás, na década de 1990, quando Fernando Collor de Mello prometeu saídas milagrosas para a economia.

Para o atual Ministro da Fazenda, Dario Durigan, a solução para o endividamento não é feita com mágica ou falsas promessas impossíveis de serem cumpridas.

“Dívida se resolve com programa. No próximo Desenrola [programa do governo federal para renegociação de dívidas], anunciado pelo presidente Lula, o governo vai comprar as dívidas com desconto acima de 90%. Sem mágica. Com responsabilidade”, explica o ministro.

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