Blog · 9 de outubro de 2026
Mentiras podem levar Flávio Bolsonaro para o livro dos recordes
Ele mente tanto que nem sabe o que é verdade, recuo ou estratégia para enganar o povo. Uma coisa é certa: ele quer, sim, privatizar o BB. Fique atento às mentiras

Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro pode se candidatar também a uma vaga no Guinness World Records, o Livro dos Recordes, e lá, ele com certeza pode conquistar uma vaga pela quantidade de mentiras que conta.
A tática dele quando uma mentira é descoberta é negar ter dito o que disse, alegando que “não foi bem isso o que quis dizer”. É o que ele vem fazendo sobre as notícias de privatização do Banco do Brasil (BB) e outras que sua assessoria econômica vem vazando nos últimos meses.
Só no caso da sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Master, ele mentiu 43 vezes, segundo levantamento da agência de checagem Aos Fatos.
O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 por fraudes financeiras. Antes de ser preso, Vorcaro, a quem Flávio chamava de irmão, doou cerca de R$ 61 milhões a R$ 69 milhões (aproximadamente US$ 12,3 milhões a US$ 14 milhões) para o financiamento do filme “Dark Horse” sobre o seu pai, Jair Bolsonaro.
Horas antes do vazamento de áudios e mensagens de texto que mostraram Flávio negociando o repasse dos valores com Vorcaro, o parlamentar negou publicamente qualquer ligação entre a produção e o dono do Banco Master. “É mentira! De onde você tirou essa informação?”, reagiu ao repórter do Intercept Brasil.
Na sequência, deu uma gargalhada forçada, virou-se de costas e resmungou: “É dinheiro privado! É dinheiro privado”. Outra mentira, era dinheiro de aposentados e pensionistas. A maior parte do dinheiro do Master vinha de 18 institutos de previdência estaduais e municipais, que aplicaram recursos no banco. Só na Rio Previdência, Vorcaro captou R$ 4,4 bilhões.
Duas mentiras em uma frase
Uma semana antes de ser desmascarado, Flávio chegou a cobrar “ampla apuração” do caso. Como se não tivesse nada a ver com o assunto, passou a desfilar com uma camisa estampada com os dizeres “O Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula”: duas mentiras em uma frase só.
Se ele mente tanto, por qual motivo o eleitor deveria acreditar nas garantias que ele dá sobre outros temas, como a privatização do Banco do Brasil (BB), assunto abordado por sua assessoria econômica, depois desmentido, como sempre?
Ele avisou: vai privatizar 95% das estatais
A pergunta é especialmente pertinente quando o assunto é o Banco do Brasil. O candidato já anunciou que pretende privatizar o máximo que puder. “Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”, disse o candidato, durante participação em um evento do mercado financeiro promovido pelo BTG Pactual.
“Ele prometeu privatizar geral, a coordenadora dele falou expressamente que o Banco do Brasil poderia estar entre as estatais a serem privatizadas, depois tentou recuar. Como é possível não desconfiar que nosso emprego, nossos direitos, tudo o que lutamos para conquistar não será destruído?”, questiona Marcel Barros, bancário aposentado e ex-presidente da Previ, referindo-se à fala da coordenadora do programa econômico da campanha, Daniella Marques, que admitiu que o BB “poderia ser considerado para privatização” e, depois da reação negativa, tentou desmentir.
“Diante de um histórico de negativas seguidas de recuos, qualquer promessa de que o banco será preservado merece, no mínimo, desconfiança”, alerta.
“Afinal, quem nega o que disse e depois alega que ‘não foi bem isso que quis dizer’ não oferece a segurança de que um dos maiores patrimônios dos brasileiros estará a salvo”, conclui.
Mais mentiras contadas por Flávio Bolsonaro
A mentira do Pix
Ele disse que seu pai criou o Pix. Mentira!
A portaria do Banco Central (BC) que instituiu o grupo de trabalho para desenvolver o sistema de pagamento instantâneo foi publicada em 3 de maio de 2018, quando Michel Temer ainda era presidente.
Analistas e técnicos concursados do BC passaram dois anos trabalhando para criar o sistema.
A mentira não é nova, já havia sido desmentida em 2022. Repeti-la faz parte de uma estratégia de comunicação a que o bolsonarismo recorre para tentar emplacar uma falsidade como verdade.
A mentira das bets
Flávio vem afirmando que Lula seria o responsável pela liberação das apostas no Brasil. É mentira! As apostas esportivas online foram legalizadas em dezembro de 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB).
Apesar de legalizar o setor, a lei nº 13.756/2018 não trazia nenhuma regulamentação, que deveria ser feita pelo governo seguinte em até quatro anos. O governo de Jair Bolsonaro nada fez. Coube ao governo Lula dar conta da tarefa legal. Depois de tentar regulamentar o setor, ele precisou proibir as bets, tamanho o estrago que provocaram na vida dos brasileiros e no país, com endividamento de famílias, vício e prejuízos à economia.



